Se antes a tatuagem era símbolo de identidade, pertencimento e permanência, hoje ela também passou a representar arrependimento. No Dia do Dermatologista, celebrado em 5 de fevereiro, médicos chamam atenção para um fenômeno que cresce de forma silenciosa no Brasil, o aumento expressivo na procura pela remoção de tatuagens, inclusive por pessoas que decidem apagar o desenho poucas semanas após fazê-lo.
No Instituto Fraga de Dermatologia, em São Paulo, já há registros de pacientes que buscam iniciar o processo de remoção em menos de 15 dias após a tatuagem. Para os especialistas, o dado reflete decisões impulsivas, mudanças rápidas de estilo de vida e expectativas frustradas em relação ao resultado estético.
“É cada vez mais comum recebermos pacientes que se arrependem quase imediatamente. Muitas vezes, a tatuagem não corresponde ao que a pessoa imaginava ou foi feita em um momento emocional intenso, sem reflexão suficiente sobre o impacto permanente na pele”, afirma o dermatologista Dr. José Roberto Fraga Filho, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia.
Arrependimento lidera os pedidos de remoção
Estudos e a prática clínica indicam que cerca de uma em cada três pessoas se arrepende de ter feito uma tatuagem em algum momento da vida. Entre os principais motivos estão mudanças de valores e de estilo de vida, término de relacionamentos, exigências profissionais, insatisfação com a qualidade do desenho, associações a momentos difíceis e o desejo de abrir espaço para um novo desenho, o chamado cover-up.
Segundo o dermatologista, o arrependimento precoce costuma estar ligado, principalmente, à frustração estética. “O desenho final, as cores ou o acabamento nem sempre correspondem à expectativa criada antes do procedimento”, explica.
Remoção não é simples nem rápida
Apesar dos avanços tecnológicos, apagar uma tatuagem está longe de ser um processo simples. A remoção a laser é demorada, podendo levar até dois anos, já que o intervalo entre as sessões costuma variar de dois a três meses. Além disso, nem todas as cores respondem da mesma forma ao tratamento, tons de azul e verde são mais resistentes e exigem equipamentos específicos.
“O laser fragmenta o pigmento em partículas que serão eliminadas pelo organismo ao longo do tempo. Quando o procedimento é feito sem critério, com energia excessiva ou por profissionais não habilitados, o risco de manchas permanentes e cicatrizes aumenta consideravelmente”, alerta Dr. José Roberto Fraga Filho.
Segurança e responsabilidade médica
O médico reforça que a remoção de tatuagens deve ser realizada exclusivamente por dermatologistas, em ambientes preparados para lidar com possíveis intercorrências. O uso inadequado de anestésicos, por exemplo, pode provocar complicações graves, como arritmias cardíacas.
“Não se trata apenas de estética. Estamos lidando com a pele, que é um órgão vital. Tecnologia adequada, conhecimento médico e acompanhamento são fundamentais para preservar a saúde do paciente”, destaca.
Quando o procedimento segue rigor técnico, respeita os intervalos entre sessões e utiliza equipamentos modernos, especialmente os lasers de picossegundos, a pele pode se regenerar completamente. Pessoas com pele mais clara tendem a apresentar melhores resultados, mas cada caso deve ser avaliado individualmente.
Um alerta no Dia do Dermatologista
Para quem pensa em fazer uma tatuagem, o conselho é cautela, evitar decisões impulsivas, nomes de parceiros e símbolos associados à dor ou ao luto. Já para quem deseja remover um desenho, a recomendação é buscar informação, avaliar a tecnologia disponível e, sobretudo, contar com acompanhamento médico especializado.
“A tatuagem deixou de ser para sempre, mas o cuidado com a pele continua sendo um compromisso para a vida toda. Histórias mudam, desenhos podem ser apagados, mas a pele nos acompanha para sempre”, conclui Dr. José Roberto Fraga Filho.









